it don´t mean a thing if it ain´t got that swing. duke ellington

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Vida do José do Telhado, extraída das "Memorias do Carcere"

Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade! Tudo aqui é pequeno: nem os ladrões chegam à craveira dos ladrões dos outros países! Todas as vocações morrem de garrote, quando se manifestam e apontam a extraordinários destinos. A Calábria é um desprezado retalho do mundo; mas tem salteadores de renome. Toda aquela Itália, tão rica, tão fértil de pintores, escultores, maestros, cantores, bailarinas, até em produzir quadrilhas de ladrões a bafejou o seu bom génio! É ver como debaixo daquele céu está abalizada em alto ponto a graduação das vocações. Tudo grande, tudo magnífico, tudo fadado a viver com os vindouros, e a preliberar os deleites de sua imortalidade. 

Camilo Castelo Branco

domingo, 4 de dezembro de 2011

Monday's attitude

Have no fear, my child
There is no evil
There is no man
my child able to appart us.

When you are with me
living as you do in my heart
making my body as home of you
So have no fear my child
I'm here.

Crescer.
Raízes.
Longa.
Nuvens.
Mais um dia.

Waking up begins with saying am and now

"O sucesso dos nossos amigos, pelo menos numa certa idade, é uma coisa difícil de suportar. E quis que isso estivesse no romance, juntamente com a comédia e a ternura, porque os homens são assim mesmo". Howard Jacobson, vencedor do Man Booker Prize com o livro The Finkler Question ao Expresso (Atual), 16/04/2011

sábado, 17 de setembro de 2011

A cidadania enquanto retórica

Do ponto de vista político , o que caracteriza a era da globalização é o fosso crescente entre cidadania formal e cidadania efectiva.

Vilaverde Cabral escrevia assim na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique. No essencial, nos países ocidentais existe um duplo défice no exercício da cidadania. Por um lado quem o pode fazer, participar activamente não o faz. No extremo temos um grupo excluído que quer participar mas a redoma legal/ social os impede.

Aquilo que se verifica, e em oposição ao reivindicado por essa massa amorfa que se auto-intitula "Geração de Abril", a escola é apenas uma outra forma de exclusão social. Quem pode, acede a uma boa educação. A maioria resigna-se com o serviço estatal.

A escolarização já não é mecanismo de interacção e mobilidade social e conciencialização da cidadania. Está entricheirada em barreiras de sucesso versus insucesso escolar e ratings.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

in a blues mood



Just follow the swing with Mr. Moody Waters. Whenever and wherever you can. 
Sometimes you just can't.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Odd Shining Days

Every day is a new day. It is better to be lucky. 
But I would rather be exact. 
Then when luck comes you are ready. 

Hemingway´s The Old Man and The Sea

MÃE & FILHA

Até parece uma relação comercial. Se o foi, o sorriso nos olhos de ambas não o revela. Ainda bem. Porque relações de mãe e filhas não são desenhadas em fios de ouro sob veludo azul mas cheias. De tudo. Principalmente de amor. Lealdade. Por vezes admiração. E se for for possível desejar às estrelas, então também carinho e ternura - tão em desuso.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Em Setembro, 
planta, colhe e cava, que é mês para tudo.






E não se me ocorre mais nada.

quinta-feira, 17 de junho de 2010




Escrevia Eça & Ramalho para lá de dois séculos no folhetim de ambos -
As Farpas - um pouco sobre tudo. Política, sociedade, educação, religião. Portugueses somos que nos olhamos e roemos com a actualidade gritante de que tudo ainda é o mesmo e assim se mantém.



A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! Este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas. Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor respeito pela idade: quem ousa atacar as câs de um velho?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Epá


Hoje não deveria escrever sobre nada. Pelo menos nada importante. Meia dúzia de adjectivos e advérbios misturados com um sujeito e um qualquer tempo verbal. Se a vida fosse como a letra gravada tudo era mais simples. E, caso não fosse, a borracha limpa as palavras sujas.

Hoje não me apetece.

Se eu pudesse, chorava.

Limpa a alma.

Amanhã vai ser Bom dia.

E o Clint Eastwood vai beijar-me e perguntar: Miss, can I help you with all those bags?

Outono


Está frio.
Os cobertores voltam.
Os lençóis mais quentes também.

Tu não vais voltar, pois não?

Apetece-me destruir amores alheios. Por pura inveja. O amor não existe. Existem sim equívocados de amor.

Desisto.

Tudo é tão frio. Tão nada. Tão tudo afinal que me consome a alma.

"Eu não te disse? Não vale a pena tirar os cobertores, no Verão. Eles voltam sempre."

Isto é triste. Eu sei.

Nunca mais vai deixar de ser assim. Triste.

Este tempo não é meu.

Este tempo não é teu.

Este tempo não é nosso.

Mas.

Espera.

Posso dar-te um beijinho?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Consolo na praia by Carlos Drummond de Andrade


Vamos, não chores
A infância está perdida.

A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.


O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.

Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humor?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado mumuraste
um protesto tímido.

Mas virão outros.

Tudo somado,
devias
precipitar-te - de vez - nas águas.
Estás nú na areia, no vento ...
Dorme, meu filho.